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A vida e o sonho da heroína da Janaúba, cidade a 560 Km de Belo Horizonte – ​Fala do presidente emérito do CIEE e professor da FGV/SP, Antonio Jacinto Caleiro Palma,​ no Teatro CIEE, em 17/10/2017.

Editorial-prof-emerito

Todos viram na televisão e nos jornais, a morte heroica da professora Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, falecida no incêndio da escola ” Gente Inocente” em Janaúba, com apenas 81 alunos matriculados, a maioria filhos de lavradores, encravada no anonimato do sertão mineiro.

Ao conversar com a comadre Hélia Pereira na véspera da tragédia, disse que apesar de estar rouca e meio indisposta, não poderia faltar, teria que dar aulas, e ” cuidar dos seus filhinhos”. 

Ela faleceu junto com 9 crianças, a mais velha de 5  anos, porque ajudou a salvar inúmeros alunos e alunas do incêndio.
 
Na 2a. feira pela manhã, um veículo da Prefeitura de Janaúba estacionou à sombra de uma figueira em frente da casa da mãe da professora Heley,  dona Valda, para entregar alguns objetos de Heley, que foram resgatados do incêndio: a chave de sua casa ; canetas coloridas ; um estojo ; uma bolsa esfarelada ; metade de uma fotografia do marido Luiz com o filho Breno.
 
Mas não entregaram de volta os “sonhos da Heley”.  Seus sonhos foram embora com ela ; foram para um mundo melhor, onde o professor e a professora são pessoas queridas, amadas , respeitadas e orgulhosas da atividade de ensinar e de transmitir conhecimento  a crianças e jovens.
 
No dia de hoje em que homenageamos os professores, gostaria de pedir ao Professor Emérito – Prêmio Guerreiro da Educação do ano passado, Professor Rubens Recupero , e ao homenageado deste ano, Professor Roberto Rodrigues que dividam o prêmio com a professorinha Heley  do sertão de Minas Gerais, que morreu por amar crianças, seus alunos, seus filhinhos.
 
Os professores e as professoras merecem todo o nosso respeito e carinho. No Japão, o único profissional que não precisa se curvar diante do Imperador, é o Professor, pois segundo os japoneses, numa terra que não há professores não pode haver imperadores.
 
Registro pois o meu encanto pela Professora Heley, e por todas as professoras e professores desse imenso Brasil, e espero que num futuro breve, possam ter remunerações justas, pois seus salários  atuais, com poucas exceções, são uma vergonha,  num país que precisa cada vez mais da educação, e que possam ter o respeito e o carinho de todos nós.